Existem mulheres urologistas?

Existem mulheres urologistas?

Por Dr. Pedro Romanelli

Se você estiver com algum problema urológico e quiser se consultar com uma mulher especialista na área, provavelmente, vai ter muita dificuldade. E, se ainda não reparou o quanto elas são escassas nesse universo, faça uma busca no Google ou mesmo nas listas de profissionais do seu convênio! Aposto que não vai achar nada ou, no máximo, encontrará uma ou duas opções femininas.

De fato, historicamente, a urologia consolidou-se como uma especialidade dominada por homens. Para se ter uma ideia, em Minas, nos últimos 50 anos, apenas três mulheres receberam o título e conseguiram levar adiante a determinação de atuar na área.

A urologia é a especialidade com menos mulheres na medicina – Demografia Médica no Brasil 2018

As causas da escassez de mulheres nesta especialidade são variadas sendo que preconceito e desinformação permeiam a maioria delas. Em primeiro lugar, os urologistas ainda são vistos por muita gente como médicos que cuidam de problemas relacionados apenas ao pênis e à próstata quando, na verdade, atuam de forma muito mais ampla atendendo, inclusive, uma demanda que vem, em cerca de 30% dos casos, do público feminino.

Outro pensamento comum, tido como um dos motivos para a pouca participação feminina no universo da urologia, tem a ver com o fato de que os homens não se sentiriam à vontade para falar de sua sexualidade com mulheres. Como havia dito, portanto, preconceito e desinformação levaram as médicas a se distanciarem da especialidade.

Felizmente, contudo, essa realidade começa a mudar. Na Europa e nos Estados Unidos, atualmente, estima-se que 25% dos urologistas em treinamento são mulheres. Por aqui, este ano, três mulheres já iniciaram seu treinamento na residência em urologia e, em breve, estarão atuando no estado. Embora ainda pequenos, acredito que os números já indicam uma mudança de tendência.

A urologia é, sim, uma especialidade em que o médico precisa ter mais sensibilidade para lidar com questões íntimas dos pacientes, deixando-os mais seguros e confiantes para compartilhar suas dúvidas e problemas. Porém, essas habilidades independem do sexo do médico.

Outro ponto a favor das mulheres que desejam ingressar na urologia é a própria variedade de demandas e possibilidades de atuação. Além de avaliar o órgão reprodutor masculino, os urologistas podem se especializar em áreas como  uropediatria, prolapsos genitais, transplante de rins, tratamento de cálculos renais, incontinência urinária e em tratamento para vários tipos de câncer.

No que diz respeito às cirurgias, abre-se outro nicho para as mulheres. Em casos de procedimentos de grande porte, elas já têm ocupado cada vez mais espaço, especialmente no tratamento do câncer de próstata e de rim. São várias as urologistas no mundo que têm grande experiência com a alta tecnologia aplicada na terapia desses tumores, inclusive com o uso da cirurgia robótica.

O robô, na verdade, iguala homens e mulheres com relação à força e à resistência física. O diferencial entre os cirurgiões são apenas a dedicação e o treinamento. E, nesses quesitos, os homens que se segurem, mas as mulheres vem com força total.

Para se ter uma ideia, este mês está acontecendo em Milão (Itália) um importante evento de urologia, onde todas as aulas e cirurgias ao vivo são realizadas por mulheres urologistas.

 

Apesar de hoje a presença da mulheres urologistas ser maior nos setores da uroginecologia e uropediatria, é certo que em breve elas estarão atuando em todas as áreas da especialidade. Dra. Carmita Abdo, uma das maiores autoridades nos estudos da sexualidade dos homens, que inclusive tornou-se membro honorário da Sociedade Brasileira de Urologia, é um exemplo do quão importante as mulheres são para a nossa especialidade.

 

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