Minas Gerais sempre foi considerado um estado conservador. O mineiro é tido como desconfiado e resistente às mudanças. Essas características, obviamente, acabam se refletindo na postura dos gestores mineiros no que diz respeito a altos investimentos e à alta tecnologia. Com a cirurgia robótica não foi diferente.

O procedimento, tal qual o conhecemos hoje, começou a ser realizado no ano 2000, nos Estados Unidos. Somente em 2008 a tecnologia chegou São Paulo, nos hospitais Albert Einstein e Sírio Libanês.

A partir deles, outros hospitais de São Paulo, Rio de janeiro e Porto Alegre adquiriram o equipamento da cirurgia robótica. Nem os hospitais públicos ficaram de fora e, alguns poucos, conseguem oferecer esta cirurgia de forma gratuita pelo Sistema ùnico de Saúde (SUS).

Infelizmente, Minas Gerais viu o crescimento da cirurgia robótica com um certo distanciamento. Inúmeros mineiros que optaram por realizar a cirurgia robótica tiveram que fazer seus tratamentos, especialmente para o câncer de próstata e rim, em São Paulo.

A dificuldade enfrentada, era do acompanhamento após seu retorno para Belo Horizonte. Foi quando comecei a levar meus pacientes para operá-los no Hospital Albert Einstein. Viajamos com o paciente, realizamos a cirurgia e dois dias depois retornamos para Belo Horizonte para continuar acompanhando a sua recuperação.

No ano passado, hospitais de Recife e de Fortaleza também adquiriram o equipamento para cirurgia robótica e os pacientes do Nordeste puderam ter maior acesso à essa tecnologia.

E Minas continuava com seu conservadorismo. Falávamos que a maior dificuldade para o robô chegar ao estado era conseguir atravessar as montanhas. O jeito desconfiado do mineiro nos fazia pensar que teríamos de esperar muito tempo para oferecer esta tecnologia em Belo Horizonte.

Mas alguns sonhadores não deixaram de acreditar e apostaram que Minas podia, sim, estar na vanguarda do desenvolvimento da medicina. Trabalharam em silêncio para, com algumas parcerias, viabilizar a chegada da cirurgia robótica em BH.

Eis que, finalmente, o Robô da Vinci consegue atravessar a Serra do Curral e chegar para os mineiros como mais uma opção no tratamento do câncer de próstata e de rim.

Como diria Carlos Drumond: “Ser Mineiro é não dizer o que faz…”